DESO foi vendida? A verdade que precisa ser dita em meio à disputa política em Sergipe
Em meio à disputa política, termo “privatização” vem sendo utilizado para descrever um processo que, juridicamente, foi uma concessão parcial dos serviços de saneamento
Por Redação Idéia News
A política sergipana entrou novamente no terreno das narrativas. Em meio à disputa por espaço, votos e opinião pública, uma afirmação vem sendo repetida como se fosse fato: “a DESO foi vendida” ou “a DESO foi privatizada”.
Mas a realidade é mais complexa — e os conceitos não podem ser tratados como sinônimos.
O que ocorreu em Sergipe foi uma concessão parcial dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A DESO, enquanto empresa pública, não foi vendida e continua sob controle do Estado.
Não houve venda da DESO
O processo realizado pelo Governo de Sergipe transferiu para a iniciativa privada a operação de determinados serviços, por meio de uma concessão com prazo determinado.
A empresa privada passou a assumir a distribuição de água e os serviços relacionados ao esgotamento sanitário nas áreas abrangidas pelo contrato.
Isso não significa, entretanto, que o Estado tenha vendido a companhia.
A DESO permanece como empresa pública e continua desempenhando funções dentro do sistema, especialmente relacionadas à captação e ao tratamento da água.
Concessão e privatização não são a mesma coisa
É justamente nesse ponto que o debate político precisa ser tratado com responsabilidade.
Privatização envolve a transferência da propriedade ou do controle de uma empresa estatal para o setor privado.
Concessão, por outro lado, significa delegar a uma empresa privada a execução de determinado serviço público durante um período e dentro das regras estabelecidas em contrato.
Foi esse segundo modelo que ocorreu com parte dos serviços da DESO.
Portanto, afirmar que “a DESO foi privatizada” pode criar no eleitor a impressão de que a companhia estatal foi vendida integralmente — o que não corresponde ao modelo adotado.
Críticas são legítimas. Desinformação, não.
Isso não significa que a concessão esteja acima de críticas.
É perfeitamente legítimo discutir se o modelo escolhido foi o melhor para Sergipe, questionar investimentos, tarifas, qualidade do atendimento, fiscalização, metas contratuais e os resultados que serão entregues à população.
O que não contribui para o debate público é substituir esses questionamentos por uma afirmação simplificada de que “venderam a DESO”, quando o processo realizado foi uma concessão parcial dos serviços.
A diferença não é apenas semântica. Ela muda completamente a compreensão do que aconteceu.
O debate político precisa respeitar os fatos
Em um momento em que as redes sociais transformaram qualquer declaração em manchete, a população precisa separar fato, opinião e narrativa política.
Quem é contra a concessão tem todo o direito de se posicionar. Quem defende o modelo também.
Mas uma discussão séria começa quando todos partem da mesma realidade.
A DESO não foi vendida como empresa. O que houve foi a concessão de parte dos serviços de saneamento à iniciativa privada, enquanto a companhia pública permaneceu sob controle estatal.
No fim das contas, a pergunta mais importante para o cidadão sergipano não deveria ser apenas “foi privatizada ou não?”
A verdadeira cobrança precisa ser: o modelo adotado vai melhorar a vida da população, ampliar o acesso à água e ao esgotamento sanitário e entregar os investimentos prometidos?
É pelos resultados que a decisão deverá ser julgada.
E, em meio à disputa política, uma coisa precisa permanecer acima das narrativas: informação correta para que o cidadão possa formar sua própria opinião.